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jun 24

Written by: admespeciais
24/06/2014 14:07  RssIcon

Ado é o apelido do goleiro Eduardo Roberto Stinghen. Nascido em Jaraguá do Sul em 1946, ele começou a gostar de futebol na escola, com um radinho de pilha que o professor de Português levava para acompanhar os jogos do Corinthians em sala de aula.

Alguns anos depois, ele se tornou goleiro titular do Londrina e chamou a atenção do técnico da Seleção Brasileira João Saldanha. Com apenas 24 anos, Ado foi convocado para a Copa do Mundo de 1970 e, depois da troca do técnico João Saldanha por Zagallo, ele se tornou goleiro reserva de Félix.

Nessa época ele já defendia as traves do Corinthians, para onde voltou depois da conquista do tricampeonato mundial pelo Brasil. Ado encerrou sua carreira em 1984 jogando pelo Bragantino e hoje tem uma escolinha de futebol em Barueri.

Leia a entrevista com o jogador Ado:

Você teve um professor inesquecível na escola?
Tive, o Irmão Luiz, professor de Português. Eu estudava no Colégio Marista em Londrina e ele era um ferrenho torcedor do Corinthians. Nas aulas, levava um radinho para a sala e ficávamos ouvindo os jogos.

De que maneira o esporte praticado na escola pode ser um estímulo para uma criança seguir a carreira de atleta?
Acho que é fundamental. A minha vida de atleta começou na escola. Durante o recreio, jogávamos futebol e, como eu era muito agitado e canhoto, a minha primeira opção foi como ponta-esquerda. Mas o goleiro do time da escola estava mal e eu fui para o gol. De lá, eu nunca mais saí. Naquele tempo não existia escolinha de futebol, então era a escola que desempenhava esse papel de nos ensinar a gostar do esporte.

Qual é a sua principal lembrança da Copa de 1970?

Das lideranças dentro de campo. O nosso grupo era muito unido e tinha verdadeiros líderes. O Gérson brigava até em treino, colocava todo mundo pra correr. O Carlos Alberto Torres também era assim. O próprio Pelé, que era mais calado dentro de campo, puxava o grupo pra frente, levantava o nosso ânimo.

Acho que essa é a principal diferença do futebol de hoje para o futebol daquela época: antes estávamos focados somente em jogar futebol, justamente por isso a gente se arrebentava e tinha que parar tão jovem. Hoje em dia os jogadores têm que se preocupar com patrocinador, imagem, em fazer propaganda e isso tira um pouco o foco. O cara não vai se arrebentar dentro de campo pra vencer uma partida, não vai colocar o pé, ele vai viver uma vida mais tranquila com o esporte e ficar multimilionário ainda assim.

Isso também é um problema porque quanto mais rico, menos preocupado em fazer outras coisas o jogador está. E a vida é curta para o esporte, mas a vida não vai até os 40, ela vai até os 80. Por isso, muitos atletas que jogaram comigo se preocuparam em ter uma qualificação para o futuro, para quando parassem de jogar bola. Hoje não há preocupação com isso.

Você tem um ídolo no futebol?
Meu ídolo é o goleiro Gilmar dos Santos Neves.

Qual é o seu palpite para os jogos do Brasil na Copa?
Acho que no começo rolou uma euforia, mas vendo as outras seleções, a tarefa de vencer a Copa do Mundo não é fácil. Tem a Holanda que está forte, a Alemanha... Nós temos o Neymar, mas acho que falta um líder ao Brasil, como os que tínhamos na década de 1970. Alguém que faça o grupo crescer ao invés de encolher.


Seleção brasileira tricampeã mundial da Copa de 1970

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