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dez 17

Written by: adm
17/12/2018 12:28 

SEG, 12.02.2019

Situadas dentro de comunidades remanescentes de quilombos, as escolas quilombolas têm como missão preservar e promover o respeito à cultura e à história local. Com esse desafio, a Secretaria da Educação lançou em 2018 o material didático “Narrativas Quilombolas”, composto por livro e caderno de atividades, que será distribuído a todas as diretorias de ensino da Rede, para que os professores possam trabalhar o tema em sala de aula.

Realizado pela Coordenadoria de Gestão da Educação Básica (CGEB), por meio do Núcleo de Inclusão Educacional (NINC) e do Centro de Atendimento Especializado (CAESP), o projeto nasceu pela falta de materiais que contassem histórias de luta e resistência das populações negras do Brasil, em especial dos quilombos. Foi então que em 2012 surgiu a ideia de registrar histórias das comunidades para que fossem utilizadas como recurso didático.

O livro é resultado de 60 horas de gravações em áudio, feitas por meio de “rodas de conversa” em 13 comunidades quilombolas paulistas. As conversas foram transcritas e foram selecionados os temas que mais apareceram: terra e território, valores, identidade, festejos e personagens importantes.

Escolas quilombolas
Atualmente, o Estado de São Paulo conta com 26 escolas quilombolas, sendo duas unidades vinculadas à rede estadual de ensino. Inaugurada em 2005, a EE Maria Antonia Chules Princesa é uma delas. E está localizada na zona rural do município de Eldorado, no Vale do Ribeira.

Luiz Marcos de França Dias é um dos professores quilombolas, e conta que o livro é uma grande oportunidade para evidenciar a importância das tradições culturais e o legado das gerações anteriores. “Tem pessoas que nem sabem o que é, mesmo tendo comunidades quilombolas nos municípios vizinhos. Então, esse material propicia primeiramente o conhecimento. Agora, para as escolas quilombolas, é essencial para que os alunos se apropriem das narrativas. E também para que observem os pais, tios, avós como mestres, enquanto pessoas que são produtoras de conhecimentos essenciais.”

Apesar do ensino ter a mesma base curricular do sistema educacional da rede estadual, a diferença está no processo da aprendizagem. “O aluno precisa aprender além da linguagem matemática, como unidades de medidas em centímetros, metros, quilômetros; ele vai aprender, por exemplo, braça. Porque o pai dele utiliza a medida de braça na roça. Ele não vai deixar de aprender Inglês, Química, Física. Mas precisa aprender a partir do aprendizado da comunidade. Essa é a diferença, de onde se parte o aprendizado e como se faz essa junção de conhecimentos, que também são valorosos, e não hierarquizados”, explica Luiz.

Quer saber mais sobre como articular os temas tratados no livro com o Currículo? Confira a videoconferência feita pelos representantes da CGEB/NINC/CAESP, realizada pela Rede do Saber/EFAP.

 

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